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TEXTO 04: A HISTÓRIA DO SAPO FERVIDO

Variações de uma história árabe das Mil e Uma Noites

Vários estudos biológicos demonstram que um sapo colocado num recipiente com a mesma água de sua lagoa fica estático durante todo o tempo em que aquecemos a água, mesmo que ela ferva. O sapo não reage ao gradual aumento de temperatura (mudança de ambiente) e morre quando a água ferve.

Por outro lado, outro sapo que seja jogado nesse recipiente com a água já fervendo salta para fora, meio chamuscado, porém vivo!

Às vezes, somos sapos fervidos. Não percebemos as mudanças. Achamos que está tudo bem, ou que o que está mal vai passar – é só questão de tempo. Estamos prestes a morrer, mas ficamos boiando, estáveis e apáticos, na água que se aquece a cada minuto. Acabamos morrendo inchadinhos e felizes, sem termos percebido as mudanças à nossa volta.

Sapos fervidos não percebem que além de ser eficientes (fazendo certo as coisas) precisam ser eficazes (fazer as coisas certas). E, para que isso aconteça, há a necessidade de um contínuo crescimento, com espaço para o diálogo, para a comunicação clara, para dividir e planejar, para uma relação de colaboração mútua. O desafio ainda maior está na humildade em atuar respeitando o pensamento do próximo.

Há sapos fervidos que ainda acreditam que o fundamental é a obediência, e não a competência: manda quem pode, obedece quem tem juízo. E, nisso tudo, onde está a vida de verdade? É melhor sair meio chamuscado de uma situação, mas vivos e prontos para agir.

 
   
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